Ricardina Correia
Psicologia Pediátrica

Ferramentas

Entre uma sessão e a seguinte

Ferramentas de autoria própria, desenvolvidas para os casos em acompanhamento. Cada uma empresta um mecanismo com apoio empírico e é usada como apoio à intervenção, não como substituto dela.

Não estão disponíveis para descarregar. São prescritas caso a caso em consulta, configuradas com a família e acompanhadas de um documento de instruções. Nenhuma recolhe dados: tudo o que se escreve fica no aparelho da família.

Pontos em Família

5 aos 14 anos Disponível

Sistema de pontos para as tarefas e as regras combinadas em casa, com meta e prémios escolhidos pela própria família.

Para quem

Famílias em que o dia a dia se organiza à volta da repetição de pedidos e da negociação de cada tarefa. As regras existem, mas mudam com o cansaço do adulto e com o dia que correu mal, e a criança deixa de saber o que conta.

Objetivos

Tornar as expectativas explícitas, estáveis e previsíveis para todos os que vivem na casa. Deslocar a atenção dos adultos do incumprimento para o cumprimento. Garantir que a consequência positiva chega de forma consistente e não depende da disposição de quem a dá.

Conteúdos

Placar de tarefas e de regras da casa, editável pela família. Meta individual por criança — diária até aos 7 anos, semanal a partir dos 8 — com prémio associado. Loja de prémios com saldo, rondas com quadro de honra e resumo em texto para levar à consulta.

Como se usa

Marcação ao fim do dia, por um adulto, com as crianças presentes. A primeira semana serve para corrigir o desenho: número de tarefas a mais, meta demasiado alta, prémios inalcançáveis. A meta tem de ser atingível desde o primeiro dia.

Quando não se usa

Quando o comportamento em causa tem função de evitamento de ansiedade: nesses casos o que é preciso é aproximação gradual, não mais exigência. Quando os adultos da casa não estão de acordo sobre as regras, o sistema passa a terreno de disputa e agrava o conflito.

O que se pede à família

Marcação diária ao fim do dia, por um adulto — poucos minutos. Configuração inicial feita em consulta.

Entre Irmãos

5 aos 15 anos Disponível

Protocolo em seis passos, conduzido por um adulto, para o momento da disputa entre irmãos.

Para quem

Famílias em que os conflitos entre irmãos são frequentes e o adulto é chamado a arbitrar sem elementos para o fazer, acabando por decidir quem começou. Situações em que a intervenção do adulto se tornou, ela própria, parte do conflito.

Objetivos

Substituir a arbitragem do adulto por um procedimento estável e igual para os dois. Garantir tempo de palavra equivalente. Introduzir um momento explícito de tomada de perspetiva. Separar a reparação da punição.

Conteúdos

Os seis passos do momento da disputa: parar, contar à vez com tempo igual, dizer o que se sentiu e o que se queria, tentar dizer o que o outro queria, propor ideias, combinar solução e reparação. As regras da casa sempre à mão e um registo curto de cada episódio.

Como se usa

Usa-se no momento, com o adulto a conduzir os passos em voz alta. As primeiras vezes demoram mais do que discutir, e é essa a fase em que a maioria das famílias desiste. O passo da tomada de perspetiva atrasa o protocolo e é o que menos se deve saltar.

Quando não se usa

Quando há agressão que exija separação imediata: primeiro separa-se, o protocolo vem depois. Quando a diferença de idade torna o tempo igual de palavra injusto na prática. E quando um dos irmãos ocupa uma posição sistemática de alvo.

O que se pede à família

Disponibilidade de um adulto para conduzir o protocolo no momento do conflito — cinco a dez minutos por episódio. Não se pede uso diário.

Rotina da manhã e da noite

3 aos 10 anos Disponível

Sequência ilustrada dos passos da manhã e da noite, que a criança vai marcando à medida que os faz.

Para quem

Famílias em que a manhã se faz de instruções repetidas e a noite se prolonga em pedidos sucessivos. Crianças que sabem o que têm de fazer, mas se perdem na ordem e ficam pelo caminho — e adultos que acabam por fazer por elas, por falta de tempo.

Objetivos

Transferir a instrução do adulto para um suporte visual, de modo que a criança consulte a sequência em vez de esperar pelo próximo pedido. Tornar previsível a ordem dos passos. Identificar onde a rotina encalha, sem que ninguém tenha de registar nada.

Conteúdos

Passos editáveis com imagem, marcados pela criança, com temporizador opcional em cada um. Rotinas separadas para a manhã e para a noite. Resumo que mostra em que passo a sequência encalha e quanto tempo demorou.

Como se usa

A lista constrói-se com a criança e começa curta — a primeira semana serve quase sempre para cortar passos a mais. Funciona melhor com o aparelho fixo num sítio da casa, e não na mão da criança.

Quando não se usa

Quando a dificuldade da manhã é sono insuficiente: resolve-se primeiro a hora de deitar. Quando a recusa tem função de oposição na relação e não de desorganização. E não se usa para acelerar a criança quando o horário familiar é, ele próprio, irrealista.

O que se pede à família

Cerca de quinze minutos, uma vez, para construir as rotinas com a criança. Depois disso, uso no momento e nenhum registo adicional.

Agenda escolar e mochila

8 aos 15 anos Disponível

Horário escolar, preparação da mochila a partir dele e marcação de trabalhos e testes com contagem decrescente. É do próprio jovem.

Para quem

Jovens que se esquecem do material, descobrem os trabalhos de casa na véspera e lembram-se dos testes tarde demais. Frequente na transição para o 2.º ciclo, quando passa a haver muitas disciplinas, muitos professores e nenhum sistema para os acompanhar.

Objetivos

Externalizar a memória do que está marcado, para que deixe de depender de lembrar-se no momento certo. Tornar visível a antecedência com que as coisas são marcadas. Transferir a responsabilidade do adulto para o jovem — sem transformar a ferramenta em instrumento de vigilância.

Conteúdos

Horário por dia e material fixo de cada disciplina, a partir do qual a mochila se prepara. Marcação de trabalhos, testes e apresentações, com contagem decrescente. Módulo de notas opcional, desligado por omissão, que mostra a distância entre a nota esperada e a obtida.

Como se usa

Configura-se em consulta, com o jovem, e é ele quem marca — os pais não marcam por ele. A primeira semana serve para acertar o horário e o material fixo. O módulo de notas só se liga por indicação clínica.

Quando não se usa

Quando o objetivo dos pais é acompanhar à distância o que o filho tem para fazer: o jovem percebe e deixa de usar. Quando a dificuldade não é de organização mas de compreensão do que é pedido. E quando o que falha é a informação que vem da escola.

O que se pede à família

Ao jovem, cerca de dois minutos por dia e o ritual de preparar a mochila à noite. Aos pais, não marcar por ele e não usar os registos como forma de verificação.

Os trabalhos de casa sem guerra

6 aos 12 anos Disponível

Protocolo para o momento dos trabalhos de casa, com o espaço preparado, blocos curtos e pausas previstas.

Para quem

Famílias em que os trabalhos de casa ocupam a tarde inteira e acabam em conflito, com um adulto sentado ao lado do princípio ao fim. Casos em que a discussão sobre começar é maior do que a tarefa.

Objetivos

Dar ao momento uma estrutura previsível, que não dependa de negociação diária. Separar a tarefa da relação, para que o adulto deixe de ser quem cobra. Prever as pausas antes do esgotamento, em vez de as conceder quando já há choro. Tornar visível o fim.

Conteúdos

Preparação do espaço, escolha da ordem das tarefas, blocos curtos com pausas marcadas, registo do início e do fim. Anota-se o que ficou por fazer e em que ponto a sessão travou.

Como se usa

A duração dos blocos define-se em consulta e é habitualmente mais curta do que os pais escolheriam. O adulto ajuda no arranque e nas transições entre blocos, e afasta-se no resto.

Quando não se usa

Quando o volume de trabalhos é desadequado à idade: resolve-se com a escola, e não com melhor organização em casa. Quando há dificuldade de aprendizagem por avaliar. E quando a relação em torno do estudo está tão desgastada que qualquer protocolo é lido como imposição.

O que se pede à família

Presença de um adulto no arranque e nas transições, nos dias em que há trabalhos — cerca de dez minutos de envolvimento direto, não a tarde toda.

Plano de estudo

10 aos 17 anos Disponível

A partir da data de um teste, distribui as matérias pelos dias disponíveis, em blocos curtos e com uma técnica de estudo definida para cada um.

Para quem

Jovens que estudam na véspera, ou que estudam muitas horas e rendem pouco porque estudar significa, na prática, reler os apontamentos. Também jovens que sabem que deviam começar mais cedo e não têm como transformar isso numa sequência de dias concretos.

Objetivos

Distribuir o estudo no tempo em vez de o concentrar. Substituir a releitura por técnicas com melhor apoio empírico. Tornar visível a antecedência real com que se estuda, para que o jovem a possa comparar com a que julga ter.

Conteúdos

Introduz-se a data do teste e as matérias, e o plano distribui-as pelos dias em blocos curtos. Cada bloco tem uma técnica associada — resumo, perguntas, exercícios, explicar em voz alta. Complementa a Agenda escolar, que traz as datas: aqui trabalha-se o como estudar.

Como se usa

As técnicas escolhem-se em consulta, em função do perfil e da disciplina. A primeira semana serve para ajustar a duração dos blocos, quase sempre otimistas à partida. Em consulta compara-se o planeado com o cumprido, sem que isso se transforme em avaliação do esforço.

Quando não se usa

Quando a dificuldade é de compreensão de leitura ou há lacunas de base: um plano melhor não resolve matéria em falta. Quando existe ansiedade de desempenho intensa, situação em que o plano tende a alimentar a antecipação.

O que se pede à família

Preenchimento pelo próprio jovem, nos dias de estudo — poucos minutos. Aos pais pede-se que não verifiquem o cumprimento do plano.

Ponte casa–escola

6 aos 10 anos Disponível

Cartão diário preenchido pelo professor sobre dois ou três objetivos definidos em consulta, que chega a casa no próprio dia.

Para quem

Crianças com dificuldades de atenção ou de comportamento em sala de aula, em que a informação sobre o dia chega aos pais apenas em reuniões ou sob a forma de queixa. Famílias que sabem que o dia correu mal e não sabem o quê.

Objetivos

Fazer chegar a casa informação diária, específica e descritiva de comportamentos, em vez de apreciações globais. Alinhar os adultos das duas casas em torno dos mesmos dois ou três objetivos. Fazer com que o que acontece em casa dependa de comportamentos observados.

Conteúdos

Três modos na mesma aplicação: professor, pais e criança. O professor marca em poucos segundos e envia; nada fica no aparelho dele. Do lado da família, o dia fica registado e há um ecrã dirigido à criança, com o que correu bem.

Como se usa

Os objetivos definem-se em consulta, articulados com a escola, e têm de ser observáveis por quem está na sala. Requer acordo prévio do professor: sem esse acordo não se prescreve. Em casa, um adulto vê o cartão ao fim do dia e comenta o que correu bem.

Quando não se usa

Quando não há adesão do professor. Quando o comportamento em causa tem função de fuga a uma tarefa demasiado difícil — o que é preciso ajustar é a tarefa. E quando há indícios de que o cartão possa vir a ser usado para punir em casa.

O que se pede à família

Ao professor, cerca de um minuto por dia. Aos pais, ver o cartão ao fim do dia com a criança e comentar — poucos minutos, todos os dias de aulas.

Condição prévia

É a única ferramenta que depende de alguém fora da família. Requer o acordo prévio do professor titular ou do diretor de turma para um registo diário de cerca de um minuto, e os objetivos são definidos em articulação com a escola. Sem esse acordo, não é prescrita.

Escada da coragem

6 aos 16 anos Disponível

Hierarquia de aproximação gradual, definida em sessão, com registo de cada tentativa e da evolução dentro do mesmo degrau.

Para quem

Crianças e jovens que evitam situações específicas — dormir sozinhos, falar em público, animais, situações sociais — e cujo evitamento se tornou organizador da vida da família, com o mundo à volta a adaptar-se para que o confronto não aconteça.

Objetivos

Tornar a aproximação gradual e previsível, em vez de depender de oportunidades. Deslocar o valor da tentativa para a própria tentativa, e não para o resultado. Tornar visível a evolução dentro de um degrau, que de outro modo passa despercebida.

Conteúdos

Degraus definidos em sessão, do mais fácil ao mais difícil, com registo curto de cada tentativa e um progresso que só sobe. Não há contadores de dias falhados nem listas de tentativas que correram mal.

Como se usa

A hierarquia é construída em sessão, com a criança, e não pelos pais em casa. Repete-se o mesmo degrau até deixar de ser difícil, e a subida decide-se em consulta — a tendência de todos é subir cedo de mais.

Quando não se usa

Não se usa sem acompanhamento em curso: exposição gradual mal graduada aumenta o evitamento. Não se usa quando o evitamento responde a uma situação realmente insegura, que tem de ser resolvida primeiro. E não se usa quando a hierarquia é definida pelos pais.

O que se pede à família

As tentativas combinadas em consulta — habitualmente algumas por semana, em momentos previstos — e um registo curto depois de cada uma, feito com a criança.

Coisas Boas

10 aos 16 anos Disponível

Caderno digital privado onde o jovem regista coisas suas e a que pode voltar mais tarde.

Para quem

Jovens com autoconceito negativo, que descrevem com facilidade o que não são e têm dificuldade em nomear características próprias. Também jovens que, perante o elogio dos adultos, o desvalorizam de imediato.

Objetivos

Constituir um registo pessoal, escrito pelo próprio, a que possa voltar em momentos em que não consegue lembrar-se de nada. O elemento de trabalho é a revisão do que ficou escrito, e não o ato de escrever. Apoiar o autoconhecimento em domínios que não dependem de desempenho.

Conteúdos

Um campo livre e um conjunto de perguntas de autoconhecimento repartidas por vários domínios — preferências, memórias, capacidades, pessoas, curiosidade sobre o futuro. A partir de certo número de entradas, a aplicação devolve algumas das anteriores. Código de acesso opcional.

Como se usa

É uma aplicação do próprio, num aparelho dele, e a privacidade é condição de funcionamento: sem aparelho próprio não se prescreve. Não tem uso diário obrigatório nem lembretes. O que for partilhado parte sempre do jovem, incluindo em consulta.

Quando não se usa

Quando há sintomatologia depressiva marcada ou risco que exija acompanhamento mais próximo entre sessões. Quando o jovem não tem aparelho próprio. E não se usa como diário de emoções nem como registo do que corre mal.

O que se pede à família

Aos pais pede-se sobretudo uma coisa: não pedir para ver. O documento que os pais recebem explica porque é que a privacidade faz parte do funcionamento.

Ilustrações de Júlia, 10 anos.

Em preparação

Em desenho ou em construção

Ferramentas cujo desenho está em curso. As condições de utilização definem-se quando o desenho ficar fechado.

Antes do vulcão

6 aos 16 anos

Para crianças e jovens com explosões de raiva frequentes.

Fora do ecrã

8 aos 17 anos

Para famílias em que o tempo de ecrã se negoceia todos os dias.

Detetive do corpo

7 aos 16 anos

Para crianças e jovens que não conseguem dizer o que sentem.

Começar

8 aos 17 anos

Para jovens que adiam tarefas que sabem fazer.

Materiais de uso exclusivo em sessão. Há ainda materiais que não são entregues às famílias e se usam apenas em consulta, como Vamos conversar sobre…? e Resolver conflitos sociais.

Materiais de acesso livre

Ao contrário destas ferramentas, os materiais para imprimir são de utilização livre e não dependem de acompanhamento.

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